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Amar e preservar,
por Teniza Spinelli

 

Exposição de Arte Postal sobre o Viaduto Otávio Rocha


O que confere valor humano a um espaço? Muitas são as respostas, embora a mais singela seja nosso sentido de identidade, de amor por ele. Como se nos coubesse um pouco da nobre função de proteger, semelhante aquela atribuída ao genius locilatino, divindade tutelar de uma pessoa, o espírito dos lugares e das coisas.


Os espaços culturais de uma cidade, para seus habitantes, são bens materiais e imateriais plenos de significados. Lugares de memória, eles são também silêncios, lacunas, amnésias, a motivar e instigar gerações. Por isso a degradação desses valores motiva uma parcela consciente da população a lutar contra a ignorância, o descaso, o vandalismo, a ação do tempo, a falta de ações públicas estratégicas.  Estamos diante da dialética do destruir e do construir, recorrente em todos os tempos e lugares. Porém, felizmente, se há dilapidação, há também criação, num movimento pendular cuja síntese aponta para a revitalização do patrimônio cultural. As ações preservacionistas revelam a presença e a intervenção de “novos construtores”, guardiões apoiados na legislação, no interesse coletivo, na importância da educação patrimonial, cujo objetivo é manter viva a identidade, a história e a memória dos grupos sociais envolvidos.


 A Arte Postal, cuja característica tem a ver com a comunicação alternativa, a necessidade imediata de atingir e conscientizar o público, veio ao encontro da urgência em socorrer o Viaduto Otávio Rocha, ícone e referencia da cidade de Porto Alegre, cujo significado simbólico os artistas abraçaram com paixão e fé. A temática da preservação foi proposta por iniciativa do Movimento de Integração Cultural, que congrega dezenas de entidades, sob a coordenação geral do escritor, poeta e ativista cultural Gilberto Wallace, movendo as forças vivas da comunidade. A seu nome soma-se o das artistas visuais Mara Caruso, professora do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e o de Maria Helena Piccinini, participante na organização, mais os quarenta artistas, cujas Visões do Viaduto deram sentido a esta mostra acolhida pelo Memorial do Ministério Público, na Praça da Matriz, esquina Jerônimo Coelho.

 


VISÕES DO VIADUTO. ARTISTAS PARTICIPANTES:

Alexandre Bôer, Ana Bettini, Carmem Fausta Jardim, Elvidia Lopes, Eny Herbst, Erminia Marasca Soccol, Fátima Siqueira Borges, Heloisa Sonaglio, Iara D'Elia, Leda Mariano, Imeritta Passos, Irene Ludwig, Iria Ritter, Ivanez Oliveira, Jacira Fagundes, Jane Balconi, Jeanete Ecker Kohler, Joel Silva, Jussara Leite Kronbauer, Jussara Schivtz, Lavinia Thys, Leci Bohn, Loudes Poli, Luiza Gutierrez, Mara Caruso, Mara Radé, Maria Darmeli Araújo, Maria do Carmo Toniolo Kuhn, Maria Julieta Damasceno Ferreira, Marines Spagnol, Marithê Bergamin, Neiva Mattioli Leite, Ricardo Wittmann, Rosa Helena Kippling, Rudimar Neves Gomes, Sirlei Caetano, Tania Luzzatto, Thereza Christina de Azevedo Jacob, Vanilda B. Elero, Vera Presotto, Vera Regina dos Santos


VIADUTO OTÁVIO ROCHA

O viaduto Otávio Rocha, majestosa obra de engenharia civil, construída no coração da cidade, é ponto de referência em Porto Alegre e no estado. Sua origem tem início com o primeiro plano diretor de 1914, que previu a abertura e ligação das zonas leste, sul e central da urbe, até então isoladas. O audacioso projeto e, o início de sua construção, deu-se em 1926, por obra do Intendente Otávio Rocha, com apoio do presidente do Estado, Borges de Medeiros cujos nomes ficaram ali perpetuados. O viaduto foi inaugurado em 1932. Trata-se de uma imponente estrutura de concreto armado, com três vãos. No centro, ao nível da Avenida Borges, há dois pórticos transversais, com dois grandes nichos contendo esculturas de Alfred Adloff. Em ambos os lados da avenida foram levantadas escadarias de acesso e grandes arcadas. Os parapeitos das rampas e do centro do viaduto são decorados por uma balaustrada. Os passeios são revestidos de mosaicos. Todas essas características arquitetônicas que lhe dão elegância e beleza, além da relevância sócio-cultural, levaram o município a inscrevê-lo no Livro de Tombo, em 1988. No final da década de 90 e no início do ano 2000 foram feitas restaurações e revitalização do local, que abriga 29 lojas, mas o vandalismo permanece deixando suas marcas, razão pela qual os preservacionistas se empenham na defesa permanente deste bem cultural tão precioso para a cidade de Porto Alegre.

 


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